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Exercício: excepção feita à série norte-americana dos anos 50/60, a quinta dimensão existe de facto?
Por enquanto, só há provas de quatro – uma de tempo e três de espaço (altura, largura e volume). O sonho da quinta só existe na cabeça de (alguns) físicos teóricos. Se um dia conseguirmos detectá-la, estaremos mais perto de entender um dos grandes enigmas do universo: a chamada matéria escura – como não emite nem reflecte luz, é invisível. A única pista é a sua imensa força gravitacional – afinal, se há matéria, há gravidade. Quando Shakespeare escreveu “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”, deve ter imaginado isto da quinta dimensão. Ou então...
Ou então isto da quinta dimensão é o campeonato português 2012/13 baseado na conclusão dos jogos com o primeiro golo. Ou seja, quem marca primeiro, ganha. E o empate a zero? Bom, isso é um empate a zero, um ponto para cada. Até na quinta dimensão.
Nesse registo, o campeão continuaria a ser o Porto, com 68 pontos, mas nunca invicto. Acumularia seis derrotas, a primeira delas com o Olhanense, logo à terceira jornada. Ganharia, isso sim, o clássico na Luz (1-0 de Mangala), mas perderia o do Dragão (1-0 de Lima). Com esse resultado, a última jornada seria a mais palpitante de sempre, porque seriam três os candidatos ao título: FCP 65 pts, Benfica 63, Paços 62.
Seria palpitante, claro, mas só se Hugo Miguel não assinalasse um penálti fora da área (nem na quinta dimensão) que garantisse o título de campeão ao Porto, com mais cinco pontos que o Benfica e seis que o Paços.
O quarto classificado continuaria a ser o Braga (60 pontos) e agora é que começam as surpresas. O Sporting de Sá Pinto/Oceano/Vercauteren/Jesualdo ocupa o quinto lugar, num extraordinário photofinish com Estoril e Beira-Mar (calma, já lá vamos). Ao ganhar 1-0 em Aveiro e beneficiando do 1-0 do Gil Vicente sobre o Estoril, o leão apura-se para a Liga Europa e o projecto de Bruno de Carvalho ganha outro brilho.
Vamos agora tratar do Beira-Mar. Como é possível o último classificado dos jogos com 92 minutos acabar o campeonato da quinta dimensão em sexto? Fácil, muito fácil, trocam-se cinco vitórias e oito empates (23 pts) por 15 vitórias (45) e já está, a equipa de Costinha não tem de olhar para baixo nem de se sentir mal por ser despromovida. E o sonho da Europa só é destruído na última jornada com um penálti de Nuno Lopes (irmão de Miguel, do Sporting) sobre Carrillo.
Também o Moreirense se salvaria da 2.ª divisão, à conta das 13 vitórias (a última na Luz) e um empate. E quem entra para os lugares de Moreirense e Beira-Mar? Gil Vicente (26) e Olhanense (claramente a pior equipa, com 21 pontos e três 0-0, apesar de ter sido a única a ganhar duas vezes ao campeão FCP).
Quanto aos melhores marcadores, a quinta dimensão condecora Jackson. Afinal, a realidade não é assim tão diferente. O colombiano terminaria com sete golos, mais dois que três benfiquistas (Cardozo, Lima e Salvio), um sportinguista (Wolfswinkel) e um moreirense (Ghilas).